Dia 04 de novembro de 2018

“MOÇAMBIQUE, PARTE 2.”
(Pr. Joversi Ferreira)

    Estamos a penas alguns dias de nossa despedida. Com tão pouco tempo restante, vem a sensação de que deveríamos ter planejado ficar mais tempo. Sabe aquela sensação de que se trabalhou muito, mas o trabalho não está nem perto de terminar? Pois é, este é a sensação. Há muito mesmo o que fazer. Como gostaríamos de executar a fase 2, a fase 3, a fase 4 (e assim por diante) daquilo que começamos.
    De qualquer maneira, ficam diversas lições preciosas aprendidas em meio a estes irmãos aqui.
    Primeiro, a lição do poder do Evangelho. Todo campo missionário, quer seja aqui ou aí no Brasil, tem suas dificuldades. Mas, o Evangelho continua sendo o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Assim, ver as vidas transformadas em meio a tantas influências espirituais aqui nos lembra deste poder e nos anima ao evangelismo. Deus não tem evangelistas de estimação, não tem preferências para com alguns. Se pregarmos, as vidas serão alcançadas. E isto ser também para o Brasil, para Boa Vista!
    Segundo, a lição da humildade em reconhecer suas limitações. A princípio, pensei que a fisionomia séria de alguns significava, “O que este brasileiro veio fazer aqui?” (rsrsrs). Mas, estava enganado. Era a fisionomia de quem estava reconhecendo as suas necessidades de mudança diante do que estavam ouvindo.
    Fiquei a me perguntar se não falta de nossa  parte certa auto-crítica muitas vezes em olhar para nós e para o que a Palavra diz e nos ver aquém de onde deveríamos estar.
    Terceiro, o valor do impacto, mesmo que limitado. Perguntaram a alguém que jogava algumas estrelas do mar de volta ao oceano enquanto milhares ainda estavam morrendo na praia, “De que adianta apenas algumas delas voltarem?” Este alguém respondeu tomando mais uma em suas mãos, “Para esta aqui, valeu a pena!”.
    Sim, fizemos uma gota no oceano. Algumas dezenas de pessoas diante de uma igreja necessitada com centenas de milhares. Mas, “para estes aqui, valeu a pena”.
    Finalmente, somos gratos aos irmãos que contribuíram para que viéssemos. Para nossa igreja que nos liberou. E ao Senhor que em tudo nos conduziu.
    Partimos já orando ao Senhor, “Será que voltaremos? Tens o Senhor algo mais para fazermos?”; pois, “Uma vida só logo passará, somente o que é feito pra Cristo permanecerá!

Dia 18 de novembro de 2018

“DISLEXIA ESPIRITUAL.”
(Pr. Joversi Ferreira)

    Dislexia é um distúrbio neurológico que afeta a capacidade de leitura. Os “signos”, isto é, as letras, sílabas, e tudo mais que transmite sons e ideias pela inscrita, não fazem sentido àquele que lê. Pelo menos, não com a mesma facilidade que tem aquela pessoa sem esta condição.
    Durante o cativeiro babilônico, era de se esperar que o povo de Judá “lê-se” de forma correta o que estava acontecendo ao seu redor. Ora, eles haviam sido exilados de sua terra e levados para uma terra estranha. A leitura óbvia é “Deus está irado conosco porque pecamos e precisamos corrigir isso”. A leitura deveria ser óbvia porque Deus mesmo havia prometido a bênção daquela terra e Sua proteção sobre eles. Contudo, havia uma condicional: que eles se mantivessem em fiel obediência à Lei do Senhor.
    Mas, o cenário era outro. Ezequiel ouviu do Senhor o diagnóstico, “De fato, para eles você não é nada mais do que alguém que entoa cânticos de amor com uma bela voz e que sabe tocar um instrumento, pois eles ouvem as suas palavras, mas não as põem em prática.” (Ezequiel 33.32).
    Pense da seguinte forma: o médico chega para um paciente e diz que se ele não se internar hoje e fizer uma cirurgia, ele iria morrer com praticamente 100% de certeza. Aí, o paciente agradece muito ao médico, compra uma passagem e vai passar férias na Europa. Faz sentido? Certamente nenhum. A não ser que esta pessoa esteja cansada da vida e queira morrer “com estilo”, claro.
    Esta era a dislexia espiritual de Judá na Babilônia. Ezequiel continuava o mandato e a mensagem proféticos de Jeremias; e o povo continuava a ignorar a voz do Senhor. Deus inclusive diz a Ezequiel que o havia colocado como uma sentinela para que Judá não pudesse usar a desculpa de que não havia sido avisada, “Filho do homem, eu o fiz uma sentinela para a nação de Israel; por isso ouça a minha palavra, e advirta-os em meu nome.” (33.7) E a mensagem dele pode ser sintetizada no verso 10 e 11, “Filho do homem, diga à nação de Israel: ‘É isto que vocês estão dizendo: "Nossas ofensas e pecados são um peso sobre nós, e estamos desfalecendo por causa deles. Como então poderemos viver?  Diga-lhes: ‘Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos! Por que iriam morrer, ó nação de Israel?’”
    Israel se queixa da sua enfermidade espiritual e Deus responde com “voltem”, isto é, arrependam-se! Deus está dizendo, “Leiam o que está acontecendo com vocês, olhem ao redor. Vocês estão sob castigo, punição e disciplina. Mas, Eu não me agrado disso, antes quero que vocês mudem de procedimento em suas vidas.”
    Mas, o verso 30 em diante revela que eles até ouviam as Palavras do Senhor, mas em nada isso significava em suas vidas. E a prova é simples, “mas não as põe em prática”. O Senhor até mesmo os acusa de falar uma coisa e ter outra no coração (v.31). A ideia por trás de “devoção” é “professam muito amor” (ARA), isto é, adoração, admiração, veneração e compromisso são todas coisas que estão (ou deveriam estar) dentro disso. No entanto, “o coração deles está ávido de ganhos injustos”. Eles estavam centralizados no material e isto lhes causava a dislexia espiritual de (1) não conseguir “ler” o cenário de castigo e disciplina ao seu redor e (2) não ouvir de verdade as palavras do profeta.
    Meu querido irmão, sua vida está lotada de mensagens de Deus. O comportamento dos seus filhos, as atitudes das pessoas para com você, as respostas às orações (ou a falta delas), a voz do Espírito Santo e, claro, a direta mensagem da Palavra de Deus. Ignorar isto ou perder a capacidade de ler o que nos está sendo colocado é algo trágico. Esta falta de discernimento espiritual vem de uma crescente cauterização causada pelo pecado ou pela mornidão espiritual ou pelo esfriamento do amor ao nosso Deus. E, muitas  vezes, por uma combinação dos três.
    Pare um instante. Analise a sua vida. Você está em um automático humano que abriu mão há muito tempo do poder espiritual da Graça de Deus  em que “Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente,” (Tt 2.12)? Se este é o caso, volte para o Senhor, tal como Ele aconselhou a Judá através de Ezequiel. Porque a Palavra dEle sempre irá se cumprir em nossas vidas, mesmo que nem sempre gostemos do resultado. E “Quando tudo isso acontecer — e certamente acontecerá — eles saberão que um profeta esteve no meio deles.” (Ezequiel 33.33).
    Então, que estejamos curados de toda dislexia espiritual e nos regozijemos com aquilo que o Senhor está fazendo e fará ao nosso redor e em nós.

Dia 11 de novembro de 2018

“LIÇÕES DE UMA DÍVIDA IMPAGÁVEL.”
(Pr. Joversi Ferreira)

    Quando éramos pequenos, e fazíamos “corpo mole”, nossa mãe mandava um, “Tenha expediente, menino!”. Essa expressão significava, “Tenha iniciativa”, “Acorde pra vida!”; ou um moderno, “Seja proativo”. Proativo ou pró-ativo é um adjetivo da língua portuguesa que define alguém que age antecipadamente, evitando ou resolvendo situações e problemas futuros.
    Meditando nisso e na situação de muitos cristãos hoje, pensei em Habacuque. Ele não suporta a situação espiritual de Israel e busca a Deus, questionando-O “até quando, Senhor!”. Pensei em Moisés que adverte o povo em Deuteronômio 8.10-20 sobre os “perigos” da bênção que estavam para herdar na Terra Prometida. Isto é, como a bênção poderia se tornar uma maldição ao ser idolatrada por eles ao ponto de esquecerem-se de Deus. Pensei também em Paulo advertindo aos presbíteros de Éfeso em Atos 20 de que tomassem cuidado com os lobos ferozes que viriam destruir o rebanho e, também, das ameaças que surgiriam de dentro da própria membresia.
    E muitos outros exemplos bíblicos poderiam ser lembrados. Pois, a proatividade é a antecipação do “pessimista”. Ou seria melhor dizer, do realista? Creio que sim. É o realista que sabe que sem o devido cuidado e provisão, as coisas podem acabar muito mal. É o realista que sabe que as ervas daninhas nascem por si só, mas a grama e as flores precisam ser cultivadas.
    Assim, se queremos ser uma igreja saudável, bíblica e que cresce em qualidade e quantidade, tais coisas não irão surgir do nada. Sim, Deus dá o crescimento (1C o 3.7), mas, há o plantio e a há a rega; e essas são nossa responsabilidade, nossa parte. Quando algo dá errado em uma vida, uma família ou uma igreja, nunca é a parte de Deus que precisa de auditoria; sempre é a nossa.
    Então, surge a pergunta óbvia: tenho plantado e regado corretamente a minha vida, a minha família e a minha igreja? Tenho feito de maneira proativa a minha parte? Com oração e submissão aos preceitos de Deus, tenho feito planos que sejam maiores do que meras conquistas materiais, graduações ou alvos profissionais? Meus planos estão focados na realidade espiritual do mundo, bem como das pessoas? A realidade espiritual do mundo é que ele “jaz no maligno” (1 Jo 5.19 - ARA) ou “o mundo todo está sob o poder do Maligno” (NVI). Andamos neste e enviamos os nossos filhos para este mundo e Satanás não dá trégua. Somos bombardeados todo dia pelas mais diversas manifestações do pecado, as quais apelam para nossa própria natureza pecaminosa. E esta é parte da realidade espiritual das pessoas. Isto inclui a nós e a nossos filhos.
    Como igreja, estamos também em terreno minado. Uma Igreja que anuncia o Evangelho que condena o pecado e aponta a salvação apenas em Cristo, uma Igreja que não negocia a Sã Doutrina, nem a considera “assunto de seminário” ou “coisa pra pastor”, antes a vê como o meio pelo qual a santidade e a piedade são fortalecidas em nossas vidas, essa Igreja nunca agradará ao mundo. Nunca! Nem tão pouco deverá se corromper pelas ideias, métodos e estratégias criadas pela mente humanista.
    Diante disso, é preciso portanto nos anteciparmos, sermos proativos e estar sempre em treinamento, pois estamos em tempo de guerra. A paz virá apenas na Glória, quando estivermos com Deus. Aqui, precisamos usar das armas do alto, levando todo pensamento cativo à obediência de Cristo (2 Co 10.3-7). Pronto para checar as armas?
    Faça hoje uma avaliação:
    ► Como está a qualidade da sua vida de oração? Tanto pessoal, quanto familiar, quanto comunitária (com a igreja)? 
    ► Como está a qualidade do seu investimento na Palavra de Deus? Quanto tempo você tem investido? Como tem aproveitado os recursos? Como tem aplicado à sua vida o que tem aprendido?
    ► Como você tem servido ao seu próximo? Primeiro, quanto aos de dentro? Seus dons e talentos tem feito a vida dos seus irmãos vidas melhores? Você investe em tempo de comunhão com seus irmãos? Mas, também, para com os de fora. Você tem estendido a mão para as necessidades físicas e espirituais daqueles que não conhecem a Cristo?
    Diante dessa avaliação, como seria a sua igreja se todos os membros e participantes fosse exatamente iguais a você quanto a estas questões acima? Pensamento assustador, não? Mas, não deveria. Antes deveria nos desafiar a sermos proativos e nos anteciparmos aos problemas corrigindo quaisquer deficiências que porventura tenhamos.
    Pare um minuto agora. Ore por isso. Ore por você, por sua família e por sua igreja. Se necessário, arrependa-se; e mude. E pavimente um futuro abençoado. O qual existirá pelo que vivemos hoje; e não apenas sonhamos platonicamente.

Dia 25 de novembro de 2018

“DA INCREDULIDADE À ANSIEDADE, A MÃE DA GANÂNCIA.”
(Pr. Joversi Ferreira)

    Lucas 12.15: “Então lhes disse: 'Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens'.
    O texto acima vem logo depois que alguém pede que Jesus intervenha entre ele e seu irmão, o qual não queria dividir sua herança. O que se segue (verso 15) não fica claro se é uma mensagem para ele ou para o irmão. Mas, o alerta e aviso são claros: cuidado com a ganância.
    Na sequência, Jesus ilustra seu ensino do verso 15 com uma parábola, uma estória com um fundo de lição espiritual. Vamos caminhar verso a verso. Deixe sua Bíblia aberta.
    Primeiro, o verso 16 nos fala que a terra de um certo homem rico havia produzido muito. Qualquer pessoa no negócio de agricultura sabe que o resultado de uma colheita é incerto. Clima, pragas, incêndios e variações no valor de cada cultura podem arruinar anos de investimento. Mas, este homem havia sido abençoado. É claro que na cosmovisão judaica (e na cristã também) ele havia tido uma ótima colheita por permissão de Deus. Todas as bênçãos materiais que temos são originárias em Suas mãos. Ele dá a quem quer. E a nós só cabe a gratidão.
    Segundo, no verso 17, em lugar de glorificar a Deus e usar os seus bens para Sua glória e para o bem do próximo, a atitude do homem rico é totalmente outra. Sua preocupação é, primeiro, em como iria guardar a riqueza extra. Reter para si é a essência da ganância. É a idolatria que busca segurança em algo palpável, mensurável e, principalmente, que nos traz a ilusão de controle.
    Terceiro, ao pensar unicamente em si mesmo, ele resolve aumentar suas posses para guardar as suas posses. Você já reparou que quanto mais coisas temos, mas despesas temos? Pode parecer óbvio, mas ele precisaria agora de mais manutenção e cuidado com um celeiro maior do que ele tinha antes. Claro, a necessidade de maior manutenção não deve nos impedir de ter uma lavadora de roupas em lugar de um simples tanque. Mas, o ponto aqui é quando aquilo que é adquirido vem da ganância e não da necessidade. Do egoísmo e não do desejo de servir aos outros.
    Quarto, no verso 19, ele justifica a sua ampliação de propriedade: ele apenas pensa no conforto que teria nos anos a seguir.  A isso chamamos de hedonismo. A busca pelo prazer como fim em si mesmo. Claro que o prazer tem o seu lugar. Ele é inclusive aconselhado na literatura de sabedoria como Provérbios e Eclesiastes. O prazer da amizade, do casamento, da comunhão da igreja e tantos outros são totalmente diferentes de prazeres pecaminosos e egocêntricos. Especialmente, quando desprezam a perspectiva da eternidade.
    Quinto, o verso 20 traz exatamente esta perspectiva. O Deus que havia dado a abundante colheita entra em cena. Ele mesmo se vira para o homem rico e o chama de “Insensato”, de “Tolo”. Por quê? Porque ele havia esquecido que não controla a sua vida. Porque ele havia esquecido que seu sucesso não vinha dele mesmo. Porque ele havia esquecido que não levará nada para a eternidade. “Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”, o verso 21, sintetiza a tolice e a insensatez deste homem.
    Lidar de forma piedosa e sob a luz da eternidade com nossos bens é um desafio. Dinheiro, poder, status, “segurança” são ídolos óbvios e fáceis. Até os justificamos com “bons motivos” como, por exemplo, o futuro dos nossos filhos. Porém, são desculpas para o real motivo: a ansiedade que nasce na nossa falta de fé e que se revela em nossa ganância (idolatria).
    O que gastamos, com o que gastamos e como gastamos. O quanto ofertamos e dizimamos. O quanto ajudamos ao nosso próximo. O cúmulo de dívidas. Tudo isso são medidores do nosso coração. Revelam os ídolos. Revelam a ansiedade. Revelam a ganância. 
    Outro fator determinante é como reagimos quando essas muletas nos são tiradas. Como isso nos aproxima ou afasta do Senhor Deus. E, quando nos são devolvidas, novamente, como isso nos aproxima e nos afasta de Deus.
    Enfim, entre ser sovina (pão-duro) ou gastador. Entre ser extremamente preocupado ou desligado. Há na Palavra de Deus um equilíbrio libertador. O equilíbrio de saber como Davi que tudo das mãos do Senhor temos recebido e para Ele devolvemos. Que tudo é dEle! Não apenas 10%. E que tudo o que é dEle precisa ser administrado de maneira que a Ele glorifique, Seu Reino estabeleça e Seu Nome exalte.
    Pare hoje e ore em cima do seu contra-cheque, do seu orçamento e dos seus projetos. Pergunte a opinião do Senhor e peça que Ele revele a realidade do seu coração. Você pode se surpreender com o diagnóstico.

© 2018 por Comunidade Batista Videira

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