Dia 01 de abril de 2018

“ALÉM DO CÉU AZUL, MAS AINDA ABAIXO DELE.”
(Pr. Joversi Ferreira)
    Há um antigo cântico que começa como o título deste artigo: “Além do céu azul foi Jesus preparar um lar pra dar a quem a vitória alcançar”. Gerações foram edificadas e consoladas com estas palavras, bem como as palavras de diversos hinos e cânticos que falam do céu. Oh, quanto coisa mudou. Hoje em dia, boa parte das canções (chamadas) cristãs parecem buscar o céu, mas que ele seja bem aqui, ainda nesta vida.
    Se perde muito da vida cristã quando se perde a perspectiva da eternidade, a visão celestial. De fato, Paulo nos adverte que “Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1 Co 1519). Paulo está dizendo que uma vida espiritual focada somente neste lado da eternidade, isto é, que pensa apenas na vida terrenal, de fato, não estará experimentando o todo, nem mesmo a melhor parte, daquilo que o Senhor tem para nós. Isto aqui é nada senão uma “neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa” (Tg 4.14b).
    Isto significa que devemos ter uma mentalidade docetista e ascética na qual a matéria é ruim e apenas o espiritual deve ser valorizado? De forma alguma! É a perspectiva da eternidade que nos possibilita aproveitar de forma plena e piedosa os prazeres e bênçãos materiais. A Terra pertence a Deus e aos Seus herdeiros. Mas, é temporária e provisória. É nada a não ser um estágio para nossa ocupação principal. Mas, que não pode ser vivido de maneira medíocre.
    A primeira forma de não viver a vida aqui de maneira medíocre é viver debaixo do propósito eterno de Deus. O qual se detalha em milhões de planos pessoais para cada um de nós. Isto é, o propósito eterno de Deus é a Sua glória, a qual se manifesta hoje através da Graça ministrada aos homens pelo Evangelho. O plano de Deus para sua vida em particular irá cumprir este propósito.  Acumular dinheiro, fama e conforto nem de longe está dentro disto. Interessantemente, iremos ganhar dinheiro, receberemos a admiração de pessoas e podemos ter algum conforto na vida. O segredo está em viver tudo isso para a glória dEle e sob a Sua vontade. Tudo centrado nEle; nunca em mim.
    Uma segunda forma de não viver aqui de maneira medíocre (e que cumpre a primeira também) é viver de forma desapegada. Paulo nos diz para buscar “as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus” (Cl 3.1). Jesus nos adverte a não acumular “tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões arrombam e furtam.” (Mt 6.19). Viver de forma desapegada é tirar o nosso foco das coisas desta terra e colocar nas eternas. Isso irá definir as decisões, planos e objetivos de nossas vidas.
    Uma terceira forma de não viver aqui de maneira medíocre é viver à luz das verdades sobre a eternidade. A Palavra de Deus diz que quando assim vivemos, não vivemos como os que não tem esperança por causa da sua ignorância (1 Ts 4.13). Há tristezas aqui? Alegre-se, não haverá na eternidade (Ap 7.17). A morte é uma sombra ameaçadora no dia ensolarado da vida? Calma, os seus dias estão contados (Ap 21.4; 1 Co 15.54-55)! A injustiça e o progresso do mal lhe enfurecem? Olhe para aquele dia quando a justiça encherá toda a Terra (Sl 45.6; Ap 19.11-16; 20.1-4)!
    Assim, somos aqueles que vivem no “já, mas ainda não”. A eternidade gloriosa ao lado do Senhor é a realidade que precisa invadir e reger esta realidade. Além do céu azul deve tornar ensolarado e cheio de esperança abaixo do céu. Quer esteja azul, nublado ou em tempestade. Afinal, o Rei dos reis e Senhor dos senhores é especialista de clima e a fonte de toda a nossa esperança.
    Pare por um instante. Releia este artigo e leia as referências bíblicas (se não leu ainda). E responda para si mesmo. Minha vida se assemelha às vidas dos incrédulos que convivem comigo? Pareço estressado, apressado, consternado e, até, depressivo como as pessoas sem Cristo ao meu redor? Estou vivendo como se este mundo fosse tudo o que eu tenho? São as conquistas aqui minha principal meta e foco na vida?
    Talvez esta reflexão pausada e profunda possa trasladar você para além do céu azul, mesmo ainda com os dois pés ainda nesta Terra.
    Graça e paz! E Maranatha!

Dia 15 de abril de 2018

“UM DIA NEGRO NA HISTÓRIA.”
(Pr. Joversi Ferreira)
    Durante algum tempo (a Bíblia não diz quanto tempo), o paraíso era... bem, era o paraíso. Tudo corria maravilhosamente bem, como Deus havia planejado e determinado. E o homem e sua esposa gozavam de tudo sem nenhum limite, a não ser, uma única regra: não comer de uma única árvore, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Fora isto, lá estava o paraíso. Bom não? Bem, aparentemente, não era bom o suficiente.
    O pecado começa exatamente neste sentimento ao qual vou chamar de “não-contentamento”. Como diz a sabedoria de Provérbios, “Duas filhas tem a sanguessuga. “Dê! Dê!”, gritam elas. ” (30.15). Ele pode começar com um pequeno desejo, mas se não controlado, não há como saciá-lo de verdade.
    Interessantemente, ele parte de necessidades e desejos legítimos do homem. Assim, fome se torna glutonaria, desejo sexual se torna lascívia, desejo por justiça se torna vingança e assim por diante. 
    No processo de obter o que não precisamos (realmente) e nem temos direito (normalmente), o pecado já se manifesta. Veja no caso de Gênesis 3. No verso 6, Eva manifesta aquilo que seria avisado em 1 João 2.16, “Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.” E, em um mundo inteiro de opções para sua fome, a única opção proibida a atrai. Este processo em si já é pecaminoso, mesmo que o pecado ainda não tenha sido consumado. Ainda é um ponto de retorno, mas geralmente negligenciado como tal. Geralmente, se torna um ponto de acesso, infelizmente.
    No verso 2 e 3, contudo, outra atitude pecaminosa já havia possibilitado a continuidade do processo: a relativização da Palavra de Deus. Eva responde à Serpente, “Respondeu a mulher à serpente: Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: “Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, NEM TOQUEM NELE; do contrário vocês morrerão”.” Se verificarmos no capítulo 2, verso 17, podemos ver que a parte em maiúsculas no texto acima nunca foi dita por Deus. Talvez você ache pouca coisa, mas não é possível que as Escrituras registrassem tal acréscimo por razão alguma. O Autor está apontando para uma luta já existente no coração de Eva, da qual a astuta Serpente se aproveita.
    Neste ponto, você deve estar confuso: “Mas, o pecado não entrou no mundo quando Adão, de fato, comeu do fruto proibido?”. Sim, é verdade.
    O que ocorre é que apenas uma única ordem (mandamento) havia sido declarado. E apenas a quebra deste exato mandamento consumou a Queda do homem. E isso unicamente após Adão, o cabeça da raça, também transgredir a ordem de Deus.
    Porém, o processo está lá, nas prê-ambulos da Queda. Ficam como uma muito familiar lição. Digo que é muito familiar porque eu e você já relativizamos a Palavra de Deus. Já duvidamos dela. Já a desobedecemos. Já a substituímos por nossa própria sabedoria. E diferente de Eva, já estávamos de fato pecando no processo.
    É muito familiar também porque já caímos na tríade de tentação de 1 João 2.16 e andamos na contra-mão do contentamento em Deus. Somos seduzidos pela cultura deste mundo. Pelos apelos materiais, sensoriais e emocionais deste mundo. E não temos como sair dele. 
    A saída foi providenciada no Novo Nascimento. Deus escreveu Sua Lei em nossos corações (Jr 31.33; Hb 8.10) e nos deu do Seu Espírito. A tão negligenciada por alguns e abusada por outros Terceira Pessoa da Trindade é a nossa arma na luta contra o pecado. Estude a Palavra em espírito de oração e clamando pela ação do Espírito Santo em sua vida. Dependa dele e busque-O. Literalmente clame, “Deus dá do Teu Espírito a mim!” (Lc 11.13), e Ele lhe ouvirá. 
    Este é o Espírito de santidade que traz poder sobre o pecado, o qual se manifesta também em sereno contentamento.

Dia 29 de abril de 2018

“O RETORNO AO QUE FOI PERDIDO.”
(Pr. Joversi Ferreira)

    Em muitas igrejas, o inimigo a ser vencido é Satanás. Tudo vem dele e é causado por ele. Até mesmo doenças, desemprego e outras desgraças. O papel dele é indubitavelmente claro nas Escrituras. Satanás não presta e ponto final. Ele deseja ver nossa destruição.
    Porém, há algo de ajuda à obra dele quando achamos que ele seja nosso maior problema.
    Thomas Brooks (1608-1680) disse certa vez, “Senhor, me livre deste homem mal: eu mesmo!”. Brooks está em sintonia com Paulo em Romanos 7. Paulo deixa claro que luta contra si mesmo, contra o mal que está em sua natureza pecaminosa. Do lado de Paulo e de todo cristão, está o próprio Deus que nos arrasta pelo Espírito em sentido contrário.
    Este embate começou no Éden com a Queda. Lá, a perfeita imagem de Deus em nós foi corrompida pela primeira vez. Ora, um DNA irá replicar-se segundo suas características. Filhos de pecadores serão pecadores. Sendo o Senhor Jesus, miraculosamente, a única exceção. O resto, eu e você incluídos, somos filhos de Adão e filhas de Eva; sem nenhuma exceção.
    Não existe nada que possa consertar este “DNA espiritual” defeituoso. Ele não aceita reforma, nem remendo. Não há reformatório para ele. A educação apenas cria um pecador mais polido e inteligente. A cultura apenas desenvolve maneiras novas do pecador se expressar. Ou seja, não há mudança através das iniciativas humanas.
    Ele, portanto, precisa ser morto. Aliás, algo que Paulo trata na primeira parte de Romanos 7.2-4. Com esta morte, algo novo precisa nascer. Precisa-se nascer de novo. É por isso que em Cristo, cada homem ou mulher é chamado de “Nova Criação”. Ou seja, uma nova raça de humanos está sendo formada em Cristo e tendo a Ele como Cabeça; o “segundo Adão”.
    A restauração do que foi perdido no Jardim em Gênesis passou por outro Jardim nos Evangelhos. No Getsêmani, Jesus antecipou o sofrimento que viria ao carregar o pecado da “velha raça”. Isto é, os pecados de cada homem e mulher que seriam salvos por aquele sacrifício.
    A criação de algo tão fantástico como uma nova raça, uma raça eterna, não sairia barato, nem seria fácil. Quando falamos da Graça de Deus e como não contribuímos em nada para nossa salvação, muitas vezes esquecemos do que nos lembra Jonathan Edwards, “apenas contribuímos na nossa salvação com o pecado do qual somos salvos”. Em outras palavras, foi pela Graça, mas não foi de graça. Custou um altíssimo preço (1 Co 6.20; 1 Pe 1.18-19).
    A restauração daquilo que foi perdido precisa levar tudo isso em consideração. Constantemente, vivemos retornando às Obras da Carne das quais fomos libertos, àquelas que eram nossa própria identidade. Como Paulo disse, “Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.” (1 Co 6.11). “ASSIM FORAM” é a expressão chave. Não somos mais. Portanto, diante de como Paulo fecha as Obras da Carne, “Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” (Gl 5.21), somos conclamados a andar no Espírito e, em cooperação com o agir de Deus, andar de maneira oposta àqueles que não experimentaram o nascer de novo.
    O caminho de retorno ao que foi perdido no primeiro Jardim em Gênesis, deve se inspirar pelo que o nosso Senhor passou no outro Jardim nos Evangelho. Isto é, não será fácil. O pecado é um adversário perseverante e difícil. Requer de nós morte, choro, sangue; se não encararmos isto como a luta que ela realmente é, se continuarmos a encarar como uma brincadeira e um passeio, perderemos. Mas, se formos sérios como sério foi a Cruz, nossa vitória está perto, logo depois da próxima curva.

Dia 08 de abril de 2018

“NOSSA MELHOR VIDA AINDA NOS AGUARDA.”
(Pr. Joversi Ferreira)
    Muito do que é escrito, pregado, cantado e divulgado no meio evangélico nas últimas décadas visam oferecer uma vida melhor aqui. Como uma antecipação do céu ainda em nossa vida aqui. É fato que, em termos gerais, a vida de alguém melhora quando se converte. Possivelmente, há o abandono de um vício, a restauração de relacionamentos, uma perspectiva diferente sobre a vida que traga crescimento e melhorias profissionais, financeiras e etc. A questão é quando ignoram o “possivelmente” e passam a prometer tais coisas. E elas não estão incluídas no “pacote” do Evangelho. Curiosamente, o sofrimento e as perseguições são quase sempre deixadas de fora. Mesmo que sejamos avisados sobre a realidade deles.
    Porém, uma coisa é certa: nossa melhor vida na eternidade está garantida e a convicção disso pode influenciar a nossa vida aqui de forma definitiva.
    Jesus nos promete algo tão sublime que supera em muito quaisquer belezas e prazeres deste mundo (Jo 14.1-4). Isso serve para tirar o nosso coração deste mundo e colocá-lo na eternidade. Assim, perdas aqui são minimizadas uma vez que aquilo que foi perdido não se compara com o que para nós está preparado.
    A própria morte perde sua força diante do poder da ressurreição (1 Co 15.20-24) que nos levará para o céu. Paulo chega mesmo a afrontar a morte perguntando “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”(1 Co 15.55). Tal certeza vem do fato de que o nosso Senhor já inaugurou a nossa ressurreição; Ele é o primeiro dentre os mortos. E nós certamente O seguiremos!
    Paulo nos lembra também de que somos peregrinos aqui e que a nossa cidadania está nos céus (Fp 3.20-21). Isso faz eco ao ensino dele sobre sermos embaixadores de Cristo (2 Co 5.20). Ou seja, o comportamento, a atitude, de um embaixador reflete no governante e país a quem ele representa. E influencia o seu trabalho. São aqueles que estão mais focados nos céus que mais benefícios trazem a este mundo. É a perspectiva deles para com a eternidade que os leva a serem e viverem o que este mundo realmente precisa. Sendo o Senhor Jesus o exemplo supremo disso.
    Outra característica da eternidade que a torna uma vida melhor e superior é o aprofundamento no nosso relacionamento com Deus. João nos diz que Ele viverá junto ao Seu povo (Ap 21.1-4). Não apenas espiritualmente como Seu Espírito habita em nós, mas “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.”. Nos Novos Céus e Nova Terra são é restaurado o encontro na viração do dia que Adão e Eva perderam depois da Queda. Colocando em termos bem humanos, teremos o bate-papo e passar o tempo com o nosso Deus, os quais nunca teremos neste lado da eternidade.
    E essa presença visível de Deus terá repercussões fantásticas em tudo ao nosso redor (Ap 21.22-27; 22.1-5). Não mais trevas, nem doenças. Não mais dor ou tristeza. Não mais pecado e todos servirão a Deus. A “igreja perfeita” que muitos buscam aqui, lá, realmente será encontrada. Perfeita comunhão e amor. 
    Porém, tudo isso não é todas as pessoas. João nos adverte, “Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas.” (Ap 22.14). Apenas os que foram lavados pelo sangue de Cristo, tendo seus pecados perdoados e tendo recebido a Justiça de Deus sobre si é que poderão provar da Árvore da Vida e entrar na cidade pelas portas. 
    Isto nos tira um pouco do esplendor das visões de Apocalipse e nos traz de volta à terra. Primeiro, porque ao nosso redor existem milhares de pessoas que não receberam o direito de entrar pelas portas da Nova Jerusalém porque não entraram pela Porta das Ovelhas, isto é, o Senhor Jesus, o único caminho. E esta é uma realidade alarmante para com a qual precisamos agir, proclamando o Evangelho e anunciando a ressurreição. Segundo, nos traz de volta porque comparamos o que vivemos hoje com este cenário celestial e somos sobrecarregados com um sentimento de profunda gratidão e admiração pela obra que o Senhor fez em nosso favor. 
    E, assim, não ousamos buscar aqui nossa “melhor vida”, pois “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”; nem nesta vida, nem na melhor vida que nos aguarda.

Dia 22 de abril de 2018

“A FAUNA, A FLORA, O HOMEM E DEUS.”
(Pr. Joversi Ferreira)
    Mais uma vez, a comunidade científica foi alertada sobre a “possibilidade de um planeta que pode sustentar vida”. É bastante incerteza em uma só frase, não? Difícil de pegar uma nave e arriscar uma ida até tal lugar, se possível fosse.
    O fato é que a Palavra de Deus nos leva à conclusão que o planeta Terra é único. Só temos este, até que Novos Céus e Nova Terra descritos no final de Apocalipse se tornem realidade. 
    E desde o começo, fomos colocados como encarregados deste planeta. Deus disse a Adão, “Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra.” (Gn 1:28). O mandato pode parecer de uso indiscriminado, mas não é. Subjugar e dominar significa adaptar-se às variações múltiplas que temos em nosso planeta. E o ser humano é o único que consegue fazer isso. Os animais, não. Eles não mudam, nem adaptam o meio ambiente para poder habitá-lo.
    Mas, então, entra o pecado.
    Neste assunto de meio ambiente, o pecado se manifesta de duas formas antagônicas, mesmo que ambas pecaminosas. As duas são distorções do padrão bíblico de relacionamento com o planeta.
    Primeiro, uma parte cai no exagero da “ecolatria”, isto é, a idolatria do meio ambiente. Um zelo que coloca muitas vezes o homem abaixo da natureza. Coloca o homem como seu servo. Tendo que escolher entre a sobrevivência humana e o meio ambiente, o “ecólatra” deixaria a humanidade perecer, sem qualquer dúvida. 
    Há um que de misticismo por parte de alguns desses. Como um panteísmo onde tudo é deus; inclusive nós mesmos. Então, se tudo é deus, tudo tem o mesmo valor. E nada é especial em si. Os indivíduos perdem para o todo; inclusive o indivíduo humano. 
    É fácil entender como chegamos a uma sociedade na qual para muitos um aborto humano se justifica, mesmo que seja apenas porque a mãe não tem condições de criar. Mas, se alguém desejasse abortar os fetos de sua gata, uma onda de indignação surgiria. Mesmo diante de qualquer “justificativa”. 
    Claro que ninguém está defendendo que se deva fazer qualquer aborto, em humanos ou animais. O ponto é como a escala de valores está bagunçada.
    E está bagunçada para o outro lado onde o pecado também se manifestou: a “ecofobia”, ou o abuso do meio ambiente. Neste lado, o homem devasta e destrói em nome... bem... em seu próprio nome, mesmo dando muitas razões. Vive como se não houvesse um amanhã e como se seus filhos e netos fossem ganhar um outro planeta para viver. O que é mais incrível é que a maioria que age assim nem acredita em Novos Céus e Nova Terra e estão cortando o mesmo galho sobre o qual estão sentados.
    Esta é a atitude de superioridade. De domínio insano e sem sabedoria. Geralmente, o lucro e a inconseqüência regem tais pessoas.
    Mas, qual o lugar do cristão nisso? A cosmovisão cristã se afasta desses extremos. Parte do princípio que tudo o que há foi criado pelo mesmo Deus que nos criou e são nossos “irmãos de Criação”, para usar a expressão de Francis Schaeffer. Sendo tudo criado por Deus, o testemunho é que tudo “é bom”. E foi colocado sob o nosso cuidado e para o nosso uso. Pronto, eis aí o equilíbrio.
    Portanto, plante uma árvore, arranque outra, plante novamente. Cuide dos animais, usufrua de outros como alimento. Cuide desta casa enquanto a Nova Casa não é trazida por Deus. Cuide como um ato de adoração ao Criador que tomou tanto cuidado e usou de tamanha criatividade para nos presentear com o mais lindo planeta que existe. (Cientistas, desistam!).
    E, assim, enquanto os extremos se perdem em suas naturezas idólatras ou egoístas, os filhos de Deus aproveitam e cuidam daquilo que o Pai lhes deixou.

© 2018 por Comunidade Batista Videira

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